moça com brinco de pérola (ou sobre sentimento contido 2)
não, não chegaria nunca, porque veio antes o momento breve da despedida, que também não houve. não, não bastaria nunca, porque nunca se pode parar depois do primeiro beijo. não, não passaria nunca, a febre, de tê-lo tocado com os olhos, se o visse com as mãos uma única vez. não, não poderia nunca sentir tão perto certas palavras doces, sem que lhe perturbassem para sempre os ouvidos. não, não poderia nunca beijar, dele, as mãos, nem lamber-lhe os pulsos, sem que depois não fosse castigada pelo vício e pelo veneno. não, não ousaria nunca, roubar, dos longos cabelos, o perfume ácido e químico, pois, se o fizesse, são saberia mais respirar sem eles. O tempo, longas pausas, o tempo, seus pensamentos, o tempo, e o seu desejo. era tudo o que ela podia dispor, dele, sem que lhe fosse decretada a morte de amor intangível...