stereo pictures vol. 2

Segunda-feira, Abril 30, 2007


o que não se pode ver
nem se pode tocar


era uma menina e desafiou os deuses. não que quisesse. nem notar, notou. apenas agiu como se pudesse. e se deixou levar. pra dizer a verdade, nunca foi de desafiar nada. vivia apenas. era divertido. e pronto. mas os deuses. sempre inventando regras. isso não pode. aquilo não pode. também não. ah! não dava muita atenção aos deuses, ela. tinha um acordo. "eu não chego muito perto, vocês não me dão muita coisa, eu também não peço nada." fácil. nunca teve problemas. até o dia em que decidiu se aproximar da luz. era como um fogo, sua claridade. um passo, outro passo. já estava lá. imóvel naquele clarão. aquele calor podia quase tocá-la. sentia o suor a escorrer pela face. a água morna descendo pelo corpo inteiro. sentia os ar quente rasgando por dentro. sentia os tremores. sentia apenas. não pensava nada. nem medo, não tinha. foi se deixando ali pelo tempo que fosse possível. desejava morar aquelas chamas. precisava compartilhar com os deuses a imortalidade do fogo. querer, eles não queriam. mas era uma menina, apenas. que mal poderia haver? um colóquio, uma discussão, um impasse. um transe. a menina não ouvia nada. nem pensou. prosseguiu jornada pela luz a dentro. os deuses debatiam. ela afundava inteira naquela luz. nunca mais foi vista. mas, ainda hoje, todos os que se aventuram a rodear aquela claridade juram ouvir seu sorriso. dizem de felicidade, seu nome.

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Domingo, Abril 29, 2007


para carlos henrique magnata cordeiro,
o homem que partiu daqui em busca de um sonho, de um amor e da terra prometida
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mag, porque você é uma criatura assim desapegada, eu sei que você não se importou com o celular ontem. você não, mas eu sim. tentei te ligar de todos os telefones que encontrei pela frente. do meu, do skype, da casa da minha mãe, até do celular de amigos. não consegui te dar os parabéns que eu queria, amigo. parabéns a distância, como hoje é nossa amizade, que não se acaba nunca. parabéns com gosto de abraço apertado. parabéns com alegria de chuva no sertão. parabéns com vontade de saber da tua vida. parabéns com saudades enormes, maiores que as rodovias que cruzam esse país imenso. feliz aniversário, mag. eu acredito no futuro mais justo que você sonhou. e no futuro mais justo que, eu espero, você esteja construindo.

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Sábado, Abril 28, 2007


sem teto, por enquanto

o lugar para onde eu quero ir. uma promessa. praia em dia de sol, arco-íris em dia de chuva, dormir até mais tarde dia de domingo.
um desejo. rua tranqüila, casa com jardim e quintal, barulho de gente pequena, empinar pipa na laje.
o lugar para onde eu quero ir é uma certeza. alegria de quando eu era criança, dia de passeio na escola, presente de aniversário, viagem pro sítio do tio.
é uma crença. paz de águas abrigadas, grandeza de paisagens sertanejas, a infinitude do mar.
é um encontro. sorriso sincero de manhã, saudades ao longo do dia, dois beijos antes de dormir.
o lugar para onde eu quero ir. uma vida. livros na varanda em dias quentes, filmes embaixo do cobertor nas noites frias, amigos ao meio-dia.
um marco. casa que nunca foi antes. e muda tudo que vem depois.
o lugar para onde eu quero ir é quase nada. é quase tudo. uma felicidade que não cabe em nenhum lugar, só em mim.
o lugar pra onde eu quero ir.

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Quarta-feira, Abril 25, 2007


o fabuloso destino dos hermanos
(ou rafael, o profeta)


Rafael diz:
ta triste com o fim do los hermanos é?

bonina * diz:
tô, é... muito

Rafael diz:
meio triste mesmo

Rafael diz:
mas as vezes é bom a banda não se forçar

bonina * diz:
eu sei... pensei nisso também

bonina * diz:
mas putz... hermanos é uma referência de música boa no brasil, saca?

Rafael diz:
mas vai sair um solo de cada um deles

bonina * diz:
e agora tenho medo que eles virem MPB... meeeeeeedo!!!!

Rafael diz:
camelo vai virar, nem tenho dúvida

Rafael diz:
mas amarante vai ser mais rock, eu acho

Rafael diz:
barba vai tocar bateria com os dois

Rafael diz:
e medina deve ficar fazendo trilha sonora pra curtas ruins no rio e escrevendo blogs

bonina * diz:
hahahahahah

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Terça-feira, Abril 24, 2007


luto

tudo na vida acaba.
los hemanos também.
muito triste.

e aí, amarante olha pra camelo e diz: "o sonho acabou".
(foi mal, aí... escapuliu)

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Sábado, Abril 21, 2007


assim sem artigo

recife. com sol é vontade praia. de rua. calor à noite. cerveja e amigos. recife é um punhado de ruas bonitas num curto espaço de tempo. com umas três avenidas horríveis pelo caminho. e tumulto nos sinais de trânsito. placas que não dizem quase nada. e um bairro inteiro para justificar o mar. recife é olinda depois da curva. tapioca na sé e biscoitinho das freiras do monte. recife. uma dúzia de pontes com muitos cais entre elas. e o mangue. recife é a pobreza latente. uma miséria fantasma. favelas que se escondem atrás de prédios históricos, monumentos, muros. recife é a alegria do reencontro e o medo de portas e janelas abertas. recife é uma festa. um show para público blasé, cansado de suas belezas. uma anestesia. recife é a promessa de lugares conhecidos e desconhecidos. um cartão postal em busca do eterno retorno. à procura de um turista acidental. recife é minha casa. todas as que já tive, a que não tenho mais, a que terei um dia. recife são os tijolos que me moldaram. pedras do século 16. construída na planície pelos holandeses. recife alaga. transborda de dentro mim. recife tem personalidade. uma cidade autoral. recife é a desgraça dos arranha-céus. meu medo de altura, meu desejo de precipício. recife é uma coluna, um esteio, uma base, uma fundação. recife é um porto. uma cidade voltada para o mar, de costas para o continente. um ponto de chegada e a vontade de partir de novo. às vezes doce, às vezes hostil. recife me ancora. é a plenitude plácida dos casarios antigos, indiferentes ao rio que corta e alinhava toda a cidade. recife é a sinuosidade do capibaribe. um capricho. recife é uma mãe. a pequena cidade grande que cresce para cima. não tem mais espaço, mas sempre cabe mais um. recife.

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Sexta-feira, Abril 20, 2007


o apr, hein?

nação foi massa (novidade!) . moptop-wanna-be-strokes foi legal . mutantes faz um cover até razoável . "monomotores só tem de bom o nome" (como disse ju lisboa). não ouvi uma só palavra dos velhinhos do forró . valentina foi minha primeira boa surpresa . uau! . orquestra contemporânea de olinda fez um som-dançante-afinado-pra-caralho . the playboys fez o show mais divertido do apr e, de quebra, o som deles ainda é massa . los alamos fez o melhor de todos os shows que eu vi : pampas + blues + dylan + retrô + pink floyd ou algo assim . the film é melhor na internet, mas eu gostei ao vivo também . o velhinho do reggae é foda, mas eu não gosto de reggae . rebeca matta, êxito d'rua, e o canto dos malditos na terra do nunca deveriam não ter existido . nem existir . nunca . eca!

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Sexta-feira, Abril 13, 2007


sobre a chuva

1. seja lá qual for a data, começo ou fim do mês, o abril pro rock marca oficialmente o início da temporada de chuvas no recife. fato. e todo mundo tem uma história de aguaceiro pra contar do apr.

2. você sabe que não está lá com essa sorte toda quando, depois de três meses (sim, eu disse três meses), decide lavar o carro e, ao sair do shopping, é atingindo por uma chuva torrencial. pra completar, passa por três ruas alagadas no caminho pra casa.

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Quarta-feira, Abril 11, 2007


ressaca

bem no meio do peito. um buraco. tem muita coisa fora do lugar. e eu sempre consigo desarrumar mais uma. é um talento nato. posso não saber fazer nada que preste nessa vida, mas tenho uma vocação ímpar para mexer no que não devo. foi assim desde menina. enlouquecia a minha mãe pela desordem. hoje, por falta de uma mãe capaz de ligar pra isso, enlouqueço eu mesma. neste exato momento, isso tem gosto de ressaca.

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Sábado, Abril 07, 2007


Gente. não existe nada melhor. ainda não inventaram. mas às vezes dói pra caralho. e nessas horas eu não quero mais brincar de gente grande. eu quero de volta a menina. aquela que sabia de tudo, tinha as verdades para soltar na frase certa, no momento exato. e nada mais poderia sair do lugar. ela já tinha dito, entenderam? simples assim... a menina era linda. caminhava segura sobre as suas certezas, que eram como largos blocos de pedra a pavimentar seu caminho. a menina era foda. tinha sempre uma resposta pronta, nunca se perdia, não errava um caminho, jamais se atrasava. aquela menina... acontece que gente cresce. e continua crescendo até o fim. é a vida bulindo. e vai deixando as verdades pelo caminho. quando vê, é o mar. às vezes revolto. aquela menina sabia das coisas. hoje, eu quero procurar as verdades dela, mas não me restaram nem as gavetas em que ficaram guardadas. hoje, eu espero um sinal. se eu fosse a menina, foda-se o sinal. já estaria dormindo. e amanhã eu saberia o que fazer.

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da menina, só me ficou uma coisa. é um certo pressentimento. a menina adivinhava as coisas antes mesmo delas acontecerem. eu sinto. sei até o exato momento. é uma forma de doer antes. da menina, não é muito. mas já é alguma coisa.

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Quinta-feira, Abril 05, 2007


caindo em contradição

as pessoas. gente tem que ser mesmo assim, um movimento. confuso, contraditório, conflitante. é a vida bulindo. viver nos surpreende. senão, não seria. todo dia, ao acordar, é um mundo novo que se levanta. joga suas certezas no chão, vai demolindo crenças, entortando caminhos, recriando sua linha de pensamento. e você se vê no meio de situações que, jurava, não seriam suas. e se pega partilhando momentos que duvidaria, e se percebe em diálogos que nunca, jamais, compreenderia. ah... o aprendizado. gente é contraditório. faz coisas que não acredita. e mesmo que você queira discordar agora, pare e pense um pouquinho... gente é bom.

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eu de novo, lá em cima