stereo pictures vol. 2

Terça-feira, Junho 26, 2007


então, finalmente estou de mudança. mudança é aquele estado de espírito em que sua vida se resume a caixas e mais caixas. nesse sentido, não, não estou de mudança. mas as caixas estão todas lá. empilhadas num apartamento, uma centena delas, do chão ao teto. é um tal de abrir e abrir caixas que não pára nunca, e algumas ainda restam fechadas. não sei de fato quando conseguirei me mudar. mesmo fechadas, nelas se esconde alguma felicidade, sei disso. ou pelo menos a alegria passageira de, depois de tanto tempo, voltar a sair da casa da mãe. é isso e diana feliz. ah, sim, vai ter festinha de inauguração. quando? ainda não sei.

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moinho de vento
às vezes era assim mesmo, ela construía enormes castelos de vidro de frente pro mar. tijolos lindos, límpidos, transparentes. erguia com eles muralhas enormes, paredes grossas, torres gigantes, fortificações. iluminava os cômodos por dentro e por fora. ao meio-dia, clareava o sol. à meia-noite, ofuscava a lua. de longe, à fortaleza, se avistava como a um farol. de alguma forma, acreditava naquele excesso de luminosidade que atravessava os muros. sentia-se clara e contente. banhava-se de luz, não carecia estrelas. era como uma menina pisando no rastro da sua própria felicidade. uma alegria sem sombras. até perceber-se exposta. ah, a felicidade às vezes dá tanto trabalho... ainda mais para uma menina que já cresceu. esse é um estado de espírito para menos de 12 anos. é necessário infância. quando notava, era o sorriso que já fugia pela leveza do vidro. as doze badaladas da cinderela. e tanto brilho era assim como uma invasão. sem pensar, apagava as luzes, fechava as janelas, trancava as portas. abandonava o castelo sem olhar pra trás. seu próprio moinho de vento. deixava-se num canto escuro qualquer e esquecia o tempo. até que o desejo de luz outra vez lhe invadisse os poros, rasgasse a carne e doesse os ossos. para então mover-se.

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Terça-feira, Junho 12, 2007


hoje, A Pedra do Reino, série em cinco capítulos
e vejam só como meu trabalho é maravilhoso:


"É o filho de um homem chamado João, de uma mulher chamada Rita. Marido de Zélia. Pai de Joaquim, Manuel, Maria, Mariana, Isabel e Ana Rita. Avô de 15 netos maravilhosos, extraordinários."

"Se me mandar escolher um dia, foi 6 de janeiro de 1948, o dia em que pedi minha mulher em casamento."

"Foi na Rua Nova. Vi aquela moça linda, de olhos verdes. Parecia que ela simpatizava comigo. Eu cheguei para ela e perguntei: "Você se incomoda de me conhecer sem ninguém me apresentar?"."

"Durante uma grande fase da minha vida, eu era travado. Quando conheci Zélia, foi como se ela desatasse um nó dentro do meu peito. Ela me encheu de carinho, e me despertou para a beleza, o riso e a alegria da vida."

"Eu não vejo diferença entre a minha vida e o que eu escrevo. Sou um apaixonado pela vida. E sou igualmente apaixonado pela literatura. Escrevo e leio todos os dias."

"É na infância e na juventude que se forma o universo interior de cada escritor. A minha infância, como se sabe, foi marcada por fortes acontecimentos."

"Escrevo porque preciso dar saída a todo um universo interior, que eu tenho, que é muito tumultuoso. Então, eu preciso dar saída. E um caminho são os personagens. Se não escrevesse, acho que ficava louco."

"Não acho que vida passe rápido demais. O que eu acho é que todos nós pensamos que seja insuficiente."

"Considero os otimistas, ingênuos. Os pessimistas, amargos. Sou um realista esperançoso."

"Contra a tristeza, eu tenho duas armas. O riso a cavalo e o galope do sonho."

"Se eu fosse escolher, queria ser João Grilo. Mas eu sou é Chicó, porque não tenho a astúcia de João Grilo."

"O Sertão, em mim, é um estado de espírito."

"O Recife é a única cidade grande na qual eu moraria. Recife, para mim, é a única cidade."

trechos de entrevistas de Ariano Suassuna
ele não sabe, mas eu amo muito!

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Quarta-feira, Junho 06, 2007


textinho sem nome
um vazio. bem embaixo dos pés, um buraco. engolindo as mãos, imóveis. desaparecendo a fala, roubando os pensamentos. um vazio. sem começo nem fim. um nada. abriu os olhos devagar e foi procurando a madrugada. palavras espalhadas pela cama. frases pela metade. uma pontuação descompassada saindo pelo fio do telefone. tuu tuu tuu tuu. foi recolhendo tudo para recompor o mundo de ontem à noite. um desespero. o vazio. ah, menina, há tanto que não se dizer antes de pensar. mas ela nunca nunca consegue. ter o dom das palavras é saber domá-las. agora estava ali. com todo aquele nada diante do espelho. frases que não se encaixavam mais no seu pensamento. pensamentos como um atraso de vida. como se faz para des-pensar algo que já foi pensado? perguntava. deve existir alguma maneira. respondia. meio lacônica, pra uma menina que acreditava. muito paralisada, pra uma menina que sabia tão bem. e, de vez em quando, o vazio aumentava. então um trim. de repente, um trim. era nada. era sim. outro trim. um nome, um rosto, uma voz, uma calma. trim de manhã é sempre bom. não dou dez segundos pro vazio sumir do mapa. dez segundos. e não restou nada. felicidade é isso. mesmo que ela não saiba pedir. mesmo que ela tenha medo. mesmo que o vazio ainda espreite pela janela. felicidade é ver do vazio um nada. as coisas de volta ao seu devido lugar.

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Sexta-feira, Junho 01, 2007


tpm
deve ser isso!

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eu de novo, lá em cima