stereo pictures vol. 2

Terça-feira, Julho 31, 2007


saudade
uma noite como se fosse luz. eu naveguei sozinha em meio ao brilho das estrelas. elas me iluminavam enquanto eu sabia palavras desconexas. eu falava e não havia sentido, mas você me compreenderia, eu sei. e você estava comigo. em algum lugar, estava. eu podia sentir sua mão me levando pela madrugada. saudade...

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Terça-feira, Julho 24, 2007


Tautologia
O amor não se repete. Não porque não se queira. Ah, se se repetisse, o amor seria fácil. Mas é caprichoso. Muda de rosto quando vai de um lugar para o outro. O amor é um gosto estranho, jeito diferente de ver o mundo, uma cor que até então não existia, roupa nova para ir à festa. O amor não se repete. Não se dá a ver. Abre ruas onde havia esquinas, desvia o cursos dos rios, constrói pontes, ergue muros, derruba portas, solta os cachorros. O amor nunca está. Sempre falta um pedaço. É essa incompletude. O amor é um desafio. Eu duvido! Não dá pra fazer igual. O amor não se repete, se desacostuma. É uma história que ainda não foi contada. Uma saudade do que estar por vir. O amor não se repete, tira o mundo do lugar, revolve gavetas, entorta os quadros da sala, abre as torneiras e se esquece. O amor não se repete, se assusta, se amedronta e às vezes se esconde. O amor não pensa, não estuda, não obedece, não trabalha. É um desajuste. O amor faísca, cutuca, incomoda, espinha, arranha e arde. O amor não se repete. Apaga palavras no dicionário e escreve outras. Tudo é novo quando ele está. O amor é o desejo incansável da desordem. Com a nossa permissão, ele nos desconstrói quando se entrega. E nos quedamos perplexos de nós mesmos, mas o consentimos, porque sabemos que só o amor é capaz de amar.

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Sexta-feira, Julho 13, 2007


meu reino por uma casa
as caixas e de cada uma delas saía um pedaço do meu mundo, que fui resgatando aos poucos. não é mais o mesmo mundo, é verdade, mas muitas coisas ainda estavam ali. livros, livros, muitos livros. os discos. revistas antigas. fotos, amuletos, recortes de jornal, coisinhas achadas no chão. fragmentos de histórias que se espalhavam pela casa. parágrafos mal escritos. enredos rebuscados. frases soltas. e eu alinhavando os pedaços. resgantando do esquecimento, trazendo para o mural da memória. aos poucos, aquela casa era minha. era eu em todos os lugares. uma casa. uma casa de verdade. um lugar meu. e bem no meio de toda a bagunça, eu entendi o sentido do mundo. compreendi os ciclos da vida. me vi envelhecendo enquanto as minhas coisas, imutáveis, guardavam uma diana que foi se somando com outras dianas até aqui. meu mundo recontruído. minha casa. esse é o sentido da felicidade. uma casa que seja sua, que tenha sua história, sua vida, sua cara. ou, mais isso, uma casa que seja você. hoje, eu admito, sou uma pessoa apegada. sim, eu tenho raízes, eu sei o que quero, eu olho pela janela e sou feliz. hoje, eu estou em paz.

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eu de novo, lá em cima