parou outra vez para contar as estrelas. se fosse possível, então seria um sonho. mas não era. nem possível nem um sonho. varreu o céu com os olhos, os dois, à procura da lua. mas, de lua, ainda não era tempo. respirou então e se contentou com as estrelas. é que elas são muitas... é quase uma felicidade assim vulgar. linda, mas vulgar. a lua não, é uma só. pensou. mas ela sempre pensava demais. talvez fosse pra não sentir, quem sabe? mas isso, sim, ela sabia impossível. e foi seguindo sem parar, levada para não sei onde, misturando os pensamentos com aquilo tudo que sentia. lembrou da mão que segurava a sua. agora não vou conseguir desembaralhar mais nada. pensou. ai meu deus. isso não vai dar certo. pensou de novo.
insoneee... na verdade, é pior do que isso.
morro de sono e não quero dormir
voltei à minha pior fase da vida ever
medo
irmão coragem
domingo, depois do almoço. fila do cinema (de filme infantil) do shopping center recife. fui clara? 35 minutos depois...
dante - mamãe, preciso ir ao banheiro.
eu - meu amor, não dá para esperar? estamos no meio da fila, se a gente sair vai perder o lugar?
dante - aai...
davi - pode ir mamãe. eu sou corajoso. eu espero aqui sozinho.
:))
os dedões. ambos. se pudesse fazer uma plástica, organizá-los-ia, tadinhos. feios e tristes. ainda por cima gorduchos. e as unhas, tortas. olham para dentro, como se precisassem de companhia. se pudesse refazê-los, seriam mais quadradinhos. não muito pequenos, mas um tanto mais delicados. e teriam unhas soltas, dessas que não encravam nunca. nem sob decreto. talvez eu andasse com mais elegância e leveza. seria dessas que se sentem altas e rodopiam nos salões pisando com segurança, pois sabem dos seus dedões lindos. eles sorririam para mim ao sair da cama, de manhã. e eu os olharia com cumplicidade. compraria as rasteirinhas mais fofas da cidade e dispensaria para sempre a pseudomodernidade do allstar. teria escovas especiais de lavar dedões. lindas e macias, importadas do japão. hidratante para os pés, esfoliantes, podólogos e meias. e, como sou boazinha, colocá-los-ia na sua boca, de vez em quando, para entretê-los um pouquinho. os dedões. ambos. primeiro um. depois o outro.